
Não sei nada dela, apenas os seus olhos me olharam com doçura com muita doçura, tem um olhar meigo, não sei o seu nome apenas o seu olhar ficou na minha memória, fecho os olhos e vejo os seus olhos cor de avelã.
Despacho-me para estar a horas, na mesma hora que Ela costuma estar, mas não está, não esteve ontem e estava com esperanças de a encontrar hoje. Olho para todos os lados e não a vejo, fico pensativo e só, os meus olhos percorrem todo aquele aglomerado de gente que se choca e me evita, há um último olhar..., não é, despeço-me do sitio que fica aquele sitio onde um dia dois estranhos cruzaram olhares. Lembro-me bem desse dia e ponho-me a pensar no momento em que levantei os olhos do jornal, no intervalo de mudar de página, e os olhos cor de avelã olhavam-me, já não consegui concentrar-me mais na leitura, olhava o jornal como escudo à inibição de quem não está seguro porque devia agir no momento, devia dizer qualquer coisa, ora se os olhares se cruzam e portanto comunicam, dizem qualquer coisa, emitem sinais e são esses que devem ser interpretados e traduzidos em acção do comportamento.
Pois, mas não sou autómato e fiquei-me naquele platonismo alucinado, que fazer é a pergunta, pois não sou propriamente um adolescente, mas Ela também não, o olhar dela parece-me de apaixonada e será que olha por estar desocupada ou..., não é que me interesse, porque cada um se ocupa na sua intimidade como bem entender, mas poderá estar interessada..., mas em quê? em ter um amigo ou um amante..., e eu? o que procuro? uma amiga ou uma amante?... Afinal, e a minha Vénus?! Não posso assumir nada que prejudique a minha estabilidade emocional, mas apaixono-me com esta facilidade porquê?
Bom! já lá vai uma semana e nunca mais vi os olhos cor de avelã, talvez seja melhor assim, não sei. Não posso deixar de fazer um comentário sobre o dia de hoje, o dia internacional da mulher. Aqui, neste meu espaço de escrita, de confidências e de alguns disparates tenho enaltecido muito a figura da mulher, tendo começado com uma alusão à figura que representa a Républica e editado um post com as atrocidades sofridas pela mulher nos dias de hoje.
Continua não haver palavras suficientes para determinados comportamentos repugnantes contra as mulheres e como não consigo lembrar-me de todos é a da violência doméstica que me choca mais, como é que pode haver parceiros que matam mulheres com pancada, não consigo perceber, não me entra..., é uma das merdas que me faz muita confusão e não estou a falar de familias tipicamente de classe operária que o marido chega bêbado e bate na mulher, estou a falar de outras classes sociais bem mais altas e de responsabilidades na sociedade mais elevadas porque o seu peso é de influência e de referência, acaba por ser mais repugnante.
Mas, Vivam as MULHERES... BEIJO-AS A TODAS, AONDE?... Aonde Elas mais gostarem. ;)





